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Edição de 05/07/96 |
As próximas eleições municipais terão cem mil mulheres concorrendo a vagas
nas câmaras de
vereadores de todo o Brasil. O número de candidatas é pelo menos três vezes maior do que o da
eleição de
1992, segundo coordenadores de campanha. O crescimento foi motivado pelo dispositivo da lei
eleitoral
que obriga os partidos a reservar às mulheres 20% das candidaturas possíveis.
O estabelecimento de cotas tem provocado polêmica. Radicalmente contra, a cientista política
Maria D'alva Gil Kinzo aponta "falha de princípio" na norma. "Pegar as mulheres a laço apenas
para fazer
número não é prova de atuação feminina", critica. Em São Paulo, já a candidata Lia Almeida Lemos
(PMDB-SP),
concorrendo a vereadora pela primeira vez, argumenta que sua candidatura só foi possível com a
reserva
de vagas. "A obrigatoriedade é constrangedora, mas se é esse o meio que fará a mulher chegar
ao poder,
então a lei é bem-vinda", defende.
No Congresso Nacional, a participação feminina é de apenas 6% do total de parlamentares.
"As cotas farão
essa situação evoluir em poucos anos para uma divisão mais justa", acredita a deputada federal Marta Suplicy (PT-SP),
autora do
projeto.